Atualmente, a saúde mental tornou-se um tema central no ambiente corporativo brasileiro. Segundo a Pesquisa Global de Atitudes sobre Benefícios 2024, realizada pela consultoria WTW, cerca de 43% dos trabalhadores relatam sintomas de ansiedade ou depressão, o que evidencia a gravidade do cenário. Esse quadro é reforçado pelos dados do Ministério da Previdência Social, que apontam que os afastamentos do trabalho por ansiedade e depressão triplicaram na última década, totalizando mais de 307 mil casos em 2024. Diante desse contexto, a ansiedade deixou de ser uma questão individual para se consolidar como um fenômeno organizacional relevante, impactando diretamente o clima corporativo, a produtividade, a criatividade e os principais indicadores de performance das empresas.
No ambiente empresarial contemporâneo, a ansiedade é considerada um “inimigo silencioso da performance”, pois contribui para o aumento do absenteísmo, presenteísmo e rotatividade, além de comprometer a inovação e a sustentabilidade do negócio. Sob a perspectiva psicanalítica, a ansiedade no trabalho frequentemente surge como sintoma de estruturas organizacionais adoecidas, marcadas por competitividade excessiva, ausência de espaços para escuta ativa e falta de valorização da subjetividade dos colaboradores. Esse cenário favorece a manifestação de conflitos psíquicos não elaborados, que se traduzem em estados de alerta contínuo e comprometem o bem-estar coletivo.
Na visão da psicanálise, a ansiedade é um afeto-sentinela, sinalizando conflitos internos entre o desejo individual, as normas institucionais e as demandas da realidade organizacional. Embora níveis moderados de ansiedade possam ser funcionais, sua persistência acarreta prejuízos significativos tanto para a saúde mental dos colaboradores quanto para os resultados estratégicos da organização. Por isso, a gestão estratégica da saúde mental tornou-se fundamental para empresas que buscam ambientes de trabalho saudáveis, inovadores e sustentáveis, alinhados às melhores práticas de governança corporativa e responsabilidade social. Investir em políticas de saúde mental, programas de apoio psicológico, comunicação transparente e valorização do capital humano é, hoje, uma estratégia essencial para a competitividade e o sucesso organizacional.

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